Escuta
cindida
Num ouvido, a instituição. No outro, uma pessoa. Você decide de quem se aproxima — mas nunca deixa de ouvir os dois.
A memória da imigração brasileira em Portugal foi escrita em duas línguas que raramente se encontram: a dos comunicados, relatórios e telejornais, e a das vidas que eles descrevem. Uma fala sobre; a outra fala de dentro.
Esta intervenção separa essas vozes no espaço da sua cabeça. O cursor, o dedo ou a inclinação do telemóvel aproximam uma e afastam a outra. Por cima, palavras recorrentes da hemeroteca orbitam como ruído mediático. O centro não é neutro: é o lugar onde as duas vozes se atropelam.
Os títulos lidos pela voz institucional são reais e vêm do arquivo. Os comunicados e o testemunho são textos compostos pela curadoria a partir de padrões recorrentes no corpus; não reproduzem declarações de pessoas identificáveis. Todas as vozes são sintéticas.
Voz sintética Piper · modelo pt-br edresson (CC BY 4.0, TTS-Portuguese-Corpus) Ver também: Sala de captura →